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Última atualização em julho 18th, 2026 às 12:25 am

Quando o Google publicou seu relatório anual sobre cibersegurança, muita gente leu aquilo como um exercício de futurologia. Não era. Os meses seguintes mostraram que boa parte das previsões já virou rotina nas fraudes que acontecem no Brasil todos os dias. A Polícia Federal já confirmou que quase metade das fraudes financeiras do país usa inteligência artificial. A Febraban já mediu o prejuízo bilionário causado só por golpes de engenharia social. E a regulamentação, que parecia distante, começa a valer.

Neste texto, você entende o que o Google apontou, o que já se confirmou na prática e o que fazer com essa informação, sem enrolação.

O que o Google previu para a cibersegurança

O relatório da equipe de segurança do Google Cloud, junto com pesquisadores da Mandiant, apontou três frentes centrais pra este ano: o uso generalizado de inteligência artificial em ataques, o crescimento do cibercrime como principal ameaça financeira global, e a continuidade de ações de espionagem promovidas por governos.

IA deixou de ser exceção e virou padrão nos ataques

A previsão central era que os criminosos parassem de usar IA como recurso pontual e passassem a usá-la em praticamente todo ataque, do primeiro contato até a etapa final de golpe. Isso já aconteceu. Levantamento da Polícia Federal mostrou que 42,5% das fraudes financeiras registradas no Brasil recentemente já contam com alguma ferramenta de inteligência artificial, geralmente combinando vídeos ou áudios falsos com malware bancário e campanhas de phishing direcionadas.

Phishing multimídia e vishing decolaram

O relatório também previa que o phishing deixaria de ser só texto e passaria a usar áudio e vídeo gerados por IA pra imitar pessoas reais. Dados da Kaspersky mostram que o Brasil concentra 62% de todos os ataques de phishing registrados na América Latina, e pesquisas recentes apontam crescimento de 45% nos ataques de phishing que usam deepfake logo nos primeiros meses do ano. O golpe do “chefe falso”, em que um áudio ou vídeo falsificado autoriza uma transferência, já é comum o suficiente pra ter nome próprio no mercado de segurança.

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Os números que provam a virada no Brasil

Isso deixou de ser uma ameaça teórica há tempos. Alguns números recentes dão a dimensão real do problema:

  • A Febraban registrou R$ 4,5 bilhões em prejuízo só com fraudes de engenharia social, quando a vítima é convencida a fazer a transferência com as próprias mãos.
  • O censo do CISO Advisor apontou que 9 em cada 10 pequenas e médias empresas brasileiras sofreram pelo menos uma tentativa de ataque via WhatsApp Web ou e-mail corporativo no último ano.
  • O ransomware cresceu 25% em escala global, com grupos organizados mirando fornecedores terceirizados e falhas ainda não corrigidas pelos fabricantes.
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O ponto em comum entre esses números é que a tecnologia mais cara do mundo não resolve o problema sozinha se o usuário for convencido a entregar a senha ou autorizar a transferência por conta própria.

Ransomware e crime organizado seguem sendo o maior risco financeiro

O Google já apontava que ataques motivados por dinheiro, principalmente ransomware e roubo de dados, seguiriam como o tipo de crime mais danoso financeiramente no mundo. Isso se confirmou. Grupos organizados têm mirado cada vez mais a infraestrutura de base das empresas, como servidores de virtualização, justamente porque esses sistemas costumam ficar fora do radar das equipes de segurança, que concentram atenção nos sistemas voltados ao usuário final.

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Ameaças ligadas a governos continuam mirando infraestrutura crítica

A parte do relatório sobre espionagem cibernética patrocinada por Estados também se mantém atual. Rússia, China, Coreia do Norte e Irã seguem sendo citados como origem de operações contra infraestrutura crítica, empresas de tecnologia e instituições financeiras, com destaque pro crescimento de golpes ligados à Coreia do Norte contra plataformas de criptomoeda, muitas vezes usando vagas de emprego falsas como isca.

O que muda na regulamentação

Brasil: Banco Central aperta as regras pras instituições financeiras

O Banco Central publicou resoluções que colocam a inteligência de ameaças cibernéticas no centro das obrigações das instituições financeiras, exigindo mais rigor em como bancos e fintechs monitoram e reportam tentativas de fraude. Na prática, isso deve significar mais camadas de verificação nas transações do dia a dia, o que pode gerar um pouco mais de fricção no uso do aplicativo do banco, mas com o objetivo de reduzir fraude.

Europa: novas exigências para sistemas de IA de alto risco

Na União Europeia, entram em vigor regras mais rígidas da Lei de IA para sistemas classificados como de alto risco, exigindo gestão de risco documentada, qualidade de dados comprovada e supervisão humana constante, sob risco de multas que podem chegar a 7% do faturamento global da empresa. Mesmo quem não opera na Europa deve sentir o efeito indireto, já que grandes empresas de tecnologia tendem a padronizar suas práticas globalmente pra não manter duas versões diferentes do mesmo produto.

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Como se proteger na prática

Alguns hábitos simples já reduzem bastante o risco, mesmo diante de golpes cada vez mais sofisticados:

  • Desconfie de qualquer pedido de transferência ou mudança de dados bancários feito por áudio ou vídeo, mesmo que a voz pareça familiar. Ligue de volta pelo número que você já tem salvo, nunca pelo que a mensagem forneceu.
  • Ative a autenticação em duas etapas em todos os aplicativos financeiros e de e-mail, de preferência usando aplicativo autenticador em vez de SMS.
  • Desconfie de vagas de emprego ou propostas de negócio recebidas do nada, principalmente as que pedem instalação de algum programa antes da entrevista.
  • Mantenha sistemas e aplicativos sempre atualizados, já que boa parte dos ataques ainda explora falhas conhecidas que já têm correção disponível.

Perguntas frequentes

A inteligência artificial tornou os golpes mais difíceis de identificar?

Sim. Deepfakes de voz e vídeo já enganam até pessoas atentas, principalmente em ligações urgentes simulando parentes ou superiores no trabalho. Por isso, confirmar por outro canal antes de agir virou uma prática essencial.

O Brasil está entre os países mais afetados por phishing?

Sim. O país concentra a maior parte dos ataques de phishing registrados na América Latina, segundo dados recentes da Kaspersky, com criminosos cada vez mais profissionais no uso de domínios que imitam empresas legítimas.

As novas regras europeias de IA afetam quem usa a tecnologia no Brasil?

De forma indireta, sim. Empresas globais tendem a aplicar os mesmos padrões de segurança e governança de dados em todos os países onde operam, então as exigências europeias costumam influenciar produtos usados também por aqui.

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